O evangelho de Cristo é o que basta

Minha intenção não é jogar palavras soltas ao vento atirando em todas as direções. Não é meu interesse ser crítico ou fazer comentários para mostrar o quanto estou indignado, mas aqui abro o meu coração e compartilho com você alguns pontos que me afligem e que, como seguidor de Cristo, não quero e nem poderia mais ficar calado, escondido comodamente. Quero viver o evangelho que me foi proposto de forma plena e compartilhar dele contigo.

Saiamos do nosso evangelho pós-moderno, não bélico, salubre e morno. Não vivamos de forma que nenhuma atitude verdadeiramente radical, que brota do coração com entendimento no espírito, seja proposta senão as que vêm de líderes empolgados por meio de canções emocionais e não expressam muito do que Cristo realmente é e representa.

Como em nossos corações podemos concordar com tais coisas: - com este mercantilismo desenfreado, que destrói as coisas verdadeiras, santas e de boa fama diante de Deus para um PRODUTO de consumo rápido e de fácil digestão, de pouco conteúdo, de caráter dúbio e viciante havendo necessidade de mais uma doze? Muita coisa é aceita “afinal, ‘somos profissionais’ e compreendemos o bastante dos mistérios dos santos e de Deus por isso os fins justificam os meios”. Vale tudo para trazermos milhares aos nossos eventos; “quem sabe ele estando aqui dentro entre nós ele se envolva com a ‘atmosfera de adoração’ e caia em si, mas se não acontecer agora, pelo menos ele não estará no mundão”. Não estaria no “mundo”, de fora das portas de vidro de nossos ‘templos’ aconchegantes que apontam para nossa imponência elegante, mas estaria no “mundo” de dentro da igreja se tornando um ícone de nossa sagacidade ignorante.

Temos que pregar o evangelho e guiar pessoas a Cristo e não para as nossas rodas sociais aos fins de semana muito menos para os nossos shows gospels nos esforçando para mostramos a este crente novo, que não somos diferentes dele, no nosso modo de agir, falar e vestir e que não tem nada demais ser assim. Nada demais beber, dá um tapinha no cigarro, “ficar”, afinal todos tem amantes, ou melhor, ficantes. Já que Jesus Cristo não é o bastante vamos “ficando” com as coisas que nos agrada, eternos ficantes do nosso cristianismo particular. O evangelho da graça não é o bastante, recorramos as nossas “mandingas gospel” que tudo vai dar certo com aquilo que desejamos com o nosso ‘criado’ poderoso o pai, o paizinho que nos dá tudo que queremos.

Deus é amor, mas também justiça. Ele é fiel, fiel a sua palavra. Como nós queremos nos apresentar diante de um Deus Santo? Falaremos de nossos feitos de quantas vezes fomos aos eventos, de quantos milagres fizemos, de quantos demônios foram expulsos, de quantos rodopios demos naquele “culto avivado”?

Meu Pai, meu Deus, tem misericórdia de nós porque pecamos contra Ti e contra o teu evangelho. Prevaricamos com este mundo dizendo que era um caminho para a tua graça apontando para a o caminho largo, pintando um cenário “de bem com a vida”. Usamos camisetas, bíblias coloridas e participamos de eventos dizendo ao mundo que somos livres, como se este fosse o real motivo da tua morte naquela cruz – aliviar nosso peso, nossa culpa – só para que possamos pular mais alto.

A vida em ti Deus é alegria e há verdadeiro motivo para o regozijo. Faz arder o coração para falar mais e mais do teu evangelho, da felicidade de encontrar-te e não dos nossos eventos. De falar mais da comunhão que o Senhor nos proporciona através do teu Espírito Santo, quer seja na prisão, quer seja no salão, quer seja em nosso quarto, intimidade contigo.

Não quero me moldar a este século e muito menos ao anterior quero ser semelhante ao Senhor, Jesus.

12 comentários:

Chu disse...

Muito bem colocado Luciano. Gostei muito de suas colocações....

Thiago Novais disse...

Deus tenha misericórdia de nós!

Valdice disse...

O evangelho de Cristo é puro e simples, basta vivê-lo. Para isso, basta aplicá-lo sem nossas interpretações humanistas à nossa vida, parar de dar desculpas para massagear nosso ego e simplesmente obedecer. A vontade de Deus está na palavra e ela não é de particular interpretação, mas é revelada pelo Espírito Santo. Ou obedecemos ou fazemos nossa vontade, não existe um meio termo, só existem pessoas que não tem coragem para assumir que ainda vivem para si mesmas e não tomaram a sua cruz.. Sim! Existe uma cruz. E ela é o única forma para que vivamos por meio de Cristo. Caso contrário, ouviremos "Eu não vos conheço" naquele Grande dia. Jesus não quererá conhecer quem nunca quis conhecê-lo. Que o Sr nos faça viver o Evangelho do Reino de Deus e não do reino dos homens, que por sinal, é o de satanás disfarçado. Deus abençõe vcs! E, viva isso mesmo, Lu!

Gloria Lemos disse...

Luciano

Nestes ultimos tempos onde O Evangelho está sendo realizado também com doutrinas de homens,e se distanciando do Evangelho , das Boas Novas puras do nosso Messias Yeshua, muitos discípulos estão sendo guiados pelo Espírito Santo.
As palavras escritas por ti são edificantes para o Corpo de Cristo. Que D'us te abençoe! E estamos juntos nesta caminhada de Gloria em Gloria.
no amor de Yeshua

Ranilson disse...

Bom texto amigo Luciano!

Sabe, sou alguém extremamente racional, profundamente metódico. Sempre fui. Mas Deus, aos poucos foi quebrando este excesso, me fazendo mais emotivo. Assim pude ver o mundo com mais cores... e também mais dores. Não sou contra as emoções, apenas contra o ser dominado por elas, assim como pela razão. Hoje peço a Deus equilíbrio. Quero ser razão e emoção. Quero poder expressar intensamente o que “sinto” por que compreendo com a “razão” o evangelho da cruz de Cristo.

Talvez aí esteja o problema: no excesso e unicidade da proposta emocional. Penso que ainda seja o reflexo do que vivemos anos atrás: as décadas do excesso e unicidade da proposta racional. Historicamente os momentos de ruptura costumam ter exageros. Seriam a expressão não do momento em si, mas do acúmulo de momentos. Sempre penso sobre o que é ser realmente radical. Chegamos a algumas conclusões que permeiam continuamente nossas conversas e ministrações: radical é ser santo, ser submisso, ter intimidade com o eterno, é assumir a identidade de cidadão do Reino e não do mundo... É o conhecer a Deus! E para tanto é preciso muitas vezes ser drástico, corajoso, inteiro! Realmente muitos parecem confundir radicalizar e ser livre com apenas poder pular, dançar, gritar, usar uma roupa descolada (Bom, pras bandas de cá, paramos por aqui! Rs!).

A primeira, maior, mais incrível e fundamental das liberdades que Cristo nos dá é a que nos faz livres do pecado! Aleluia! Mas não é a única. A igreja que pregou a graça prendeu sua juventude nas tábuas frias do legalismo, tirando muito da liberdade que tinham em Jesus! Herdaram a frieza de Roma, perderam o ardor e vivacidade judaicas e, pior ainda, aprisionaram o “fogo” do brasileiro! KKK! Digo “fogo” no bom sentido claro; no sentido da expressividade e alegria. Condenaram a diversão do jovem, a diversidade de sua música e dança, sua maneira de vestir e falar. Coisas que a “vida”, principalmente de hoje nos proporciona. Digo “vida” porque para mim não são estas coisas do “mundo” – digo “mundo” no sentido de quando queremos associá-las à carne ou ao pecado - como se estivessem demonizadas, mas como aquelas que o desenvolvimento das potencialidades que o próprio Deus nos deu permite que desfrutemos. Temos que usufruir delas com a liberdade que Ele deu e a igreja nos havia tirado.

Ranilson disse...

Na questão da liberdade da juventude, um texto que para mim resume perfeitamente o pensamento biblicamente correto é: “Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo” (Eclesiastes 11:9). Em outras palavras o que o autor diz é “Jovem, você tem toda a liberdade de ser, ver, querer, experimentar, sonhar, realizar... Você é livre! Use, contudo, sua liberdade de forma responsável, porque você arcará diante de Deus com as conseqüências dela!”. A igreja historicamente não teve coragem de dizer isso ao jovem. O excesso de zelo, como de uma mãe coruja a um filho querido; o medo de que ele se perdesse a fez decidir por limitar sua liberdade. Talvez até por receio de ter sua deficiência em alcançar seus corações e mentes exposta. Das duas uma: ou eu “ensino e deixo livre” ou apenas “proíbo”. A primeira foi a atitude de Jesus em relação à humanidade; a segunda era a conduta da liderança hipócrita da época. Hoje, temos preferido imitar Jesus e arcar com as conseqüências!

O problema é que muitos não entenderam o que é essa tal liberdade pela qual tantos lutaram; e se perdem no caminho. Eles precisam de quem os possa ensinar sobre estas coisas; ensinar sobre as responsabilidades e os limites para lidar com elas. E o limite está no pecado, no desagrado ao Pai. Lutamos hoje para que os entendimentos pecaminosos sejam “exorcizados” da igreja! Rs! Conceitos como o de formas de relacionamentos que nunca foram bíblicas, nunca foram cristãs, voltem para onde vieram e deixem nossos jovens serem mais santos! Para que tenhamos jovens que até se parecam por fora com os seus amigos não-cristãos, até porque quando se convertem continuam com 2 olhos e pernas e braços iguais... (Rs)! Penso que o que nos assemelha exteriormente se torna menor quando o que flui do interior é verdadeiro, intenso e real.

Ranilson disse...

Como você, amigo Luciano, fico extremamente entristecido ao ver que além dos jovens perdidos no mundo, ainda há tantos perdidos das igrejas, achando coisas que levam ao pecado (ou já o são) como comuns. Isso sem falar no fato de alguns dos nossos companheiros de classe, os ministros de adoração, se tornarem cada dia mais amigos da soberba, do fama e do dinheiro. Obviamente, não são todos e no fim das contas provavelmente nem teremos certeza de quais o são. Apesar de saber que estão aí, cuidemos para que não julguemos equivocadamente. O que me consola é lembrar que, como você citou, “Deus é amor, mas também justiça”. Contudo ao lembrar de que a justiça de Deus já veio ao mundo em forma de homem, redefiniria a frase: “Deus é amor, mais também é justiça: que é Jesus, o amor...”.

Oremos para que a justiça de Deus se converta em amor nos nossos corações pelas almas e pela igreja do amor. Oremos para que o Senhor nos dê mais 12, 30, 1.000... almas que cuidaremos delas e as ensinaremos para que escrevam uma história diferente! Cada vez mais me convenço de que o problema está menos nos métodos e mais nas pessoas. Uma importante questão talvez seja o fato de os métodos confrontarem e nos confrontos as caras se revelam. Então descobrimos, partilhando de um mesmo método, os apáticos, os enclausurados nos antigos conceitos e modelos, os desesperados por novidades, os fanáticos, os maduros, os equilibrados... Neste sentido tenho até hoje tentado me permitir avançar e não retroceder nos confrontos. Por fim, concordo com um grande músico e levita na casa de Deus que diz assim: “Não quero me moldar a este século e muito menos ao anterior quero ser semelhante ao Senhor, Jesus”... Rs! Grande frase mesmo!


Desculpe. Ia fazer um comentário, acabei escrevendo mais do que pensei. É porque ainda que nem todas sejam as mesmas, tenho refletido sobre questões que têm me incomodado também... Rs! Aí calhou! KKK!

Belo texto e intenção! Espero ter contribuído pra uma discussão saudável sobre o Reino nos dias de hoje... Paz querido!!!

Cleuber disse...

É o evangelho gospel cara, de agora em diante, se alguém quiser ser cristão, não pode mais depender de nada em qq igreja. É cada um por si, na tentativa de se ler a bíblia se desapegando com as interpretações dos líderes famosos, e entendendo a vontade de Deus pra si.

Lins disse...

De fato nos entristecemos com o frenetismo das igrejas movidas pelo emocionalismo assim também como o espaço que tem dado para o mundanismo. O que devemos a fazer é falar, bradar bem alto para que todos ouçam que nos perdermos e precisamos voltar. Orar juntos discutir a palavra e não ter vegonha de mostrar que somos diferentes pois temos Cristo.

ricardo nunes disse...

Boa reflexão Luciano. Infelizmente as pessoas esquecem da cruz. Precisamos ter bom ânimo e seguir em frente. Resta fazermos o que infelizmente muitos não gostam, orar. Obrigado por proporcionar esse momento de reflexão. Que Deus continue te abençoando.

rickana disse...

Quanta lucidez que Deus continue te iluminando e que estas palavras cheguem a todos aqueles que necessitam acordar para realidade.
Que a cada dia possamos estar alertos a toda real adoração olharmos pra Jesus e não a homens, mas sermos verdadeiros e humildes de coração e jamais negar a Jesus com nossas atitudes que possamos ser íntegros e fiés.

Moisés Oliveira disse...

O evangelho pós-moderno não é o mesmo que Cristo e os seus discípulos pregavam. O Evangelho do Reino de Deus está em sua Palavra - doutrina ensina por Cristo Jesus, longe das criações humanas e teológicas que só visam a satisfação do homem na terra. Que o SENHOR tenha misericórdia de nós e que possamos nos submeter ao governo de Deus, na pessoa de Jesus, renunciando, assim, a nossa independência. Não podemos nos encaixar nesta forma - conformar - que o mundo secular e o mundo eclesiástico têm criado, contudo, renovemos a nossa mente com o conselho de Deus, que é bom, perfeito e agradável. Sigamos na contramão desse mundo (ou mundos)!

Deus continue te abençoando, Lu, e que possamos ser aperfeiçoados, em Cristo, até a Sua volta!

Saudações musicais Nele, o nosso SENHOR!

Moisés Oliveira.
moises_ufba@yahoo.com.br